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segunda-feira, 22 de abril de 2019

AGAVACEAE

Sisal

Agavaceae
Agave americana L.
OrigemMéxico e Antilhas








Fonte: Jardim Botânico da cidade do Huambo (estudantes 2017)

Descrição:
O Sisal (Agave americana) é uma planta vivaz, monocotiledónea, de porte robusto, caule curto com 2-8 m de altura (com escapo, incluindo panícula) e 2-3 m de diâmetro., rizomatosa e arrosetada. Folhas: carnudas, em roseta, lanceoladas-oblongas, com 1-2,5 m de comprimento, 15-30 cm de largura e 2-3 cm de espessura; margens espinhosas e com espinho apical negro, verde-glaucas. Flores: amarelo- esverdeadas, reunidas numa grande panícula, que sai do centro da roseta de folhas. Floresce uma única vez na vida. Nem sempre origina fruto. Ao degenerar permanecem algum tempo os restos das folhas e do caule principal. A roseta pode ser substituída por rebentos da raiz. Após a floração e maturação dos frutos a planta-mãe morre, sendo o seu lugar ocupado por novos rebentos, que ao longo do tempo se desenvolveram na base. Os estames são muito compridos com filamentos de seis a oito centímetros. O ovário é ínfero. Fruto: é uma cápsula oblongo-obovoide, com sementes achatadas.

Habitat e Ecologia: Matos xerófilos abertos, taludes e bermas de estradas, arribas litorais. 



Uso: A sua fibra é muito apreciada na indústria. A seiva é usada, no México de onde esta planta é originária, para preparar o pulche e outras bebidas fermentadas de uso nacional. No México a agave é usada como planta alimentar, na recuperação de solos, produção de açúcar e medicamentos.



Ensino de Biologia 2017

Autores:


João Baptista Quintas 
Leonilde Isabel Uongo Tomás
Maria da Graça Dulo
Paulino Cangundo Cuassula
Pedro Vandre Huambo
Rafael Angelino Chiwale
Verónica Ngueve Chilemo

quarta-feira, 5 de julho de 2017

JARDIM DA ESTUFA FRIA DO HUAMBO, ANGOLA

JARDIM DA ESTUFA FRIA DO HUAMBO, ANGOLA

I. O QUE É UM JARDIM BOTÂNICO?

A dar crédito às versões bíblicas foi o jardim a obra inicial do Criador, do Deus Arquitecto que o fez já exercendo a função de vegetação protectora dos mananciais, porque do jardim do Éden:

  • "saía um rio para regar o jardim e dali se dividiu e se tornava em quatro braços" (Génesis 2,10).
  • "e plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs ali o homem que tinha formado" (Génesis 2,8).
  • "e tomou o Senhor Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar" (Génesis 2,15)
Ainda pela Bíblia encontramos que a sistemática é contemporânea dos atos iniciais da criação, pois, no terceiro dia, precisamente:
  • "e disse Deus produza a terra a erva verde, dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie. E viu que era bom" (Génesis 1,12).

Devemos aqui encarar o jardim não mais como objecto da criação, porém rigorosamente dentro de um ponto de vista histórico e reconhecer que representa o jardim uma das mais antigas tentativas do ser humano de se sobrepor à ordem natural a ordem humana.

Quanto mais elaborada e evoluída e estruturada uma cultura, maior requinte empresta às realizações jardinísticas.

Os jardins egípcios, os jardins da Babilônia, os jardins árabes de Sevilha e Granada, o jardim japonês e os jardins europeus (italiano, francês e inglês) exemplificam bem o que foi afirmado acima.

As hordas bárbaras, os povos primitivos e os nômadas desconhecem em absoluto o jardim.

A conceituação do jardim não é precisada nem em dimensão (um jardim pode ter qualquer dimensão), nem em forma, nem pela natureza de sua composição própria. 

Há mesmo exemplos de jardins sem plantas.

O jardim corresponde a uma porção limitada do espaço, organizada finalisticamente para a amenização, o proveito, a educação, o lazer, o encontro ou à meditação e a contemplação daqueles que o frequentam



O que é um Jardim botânico?
Na actualidade, entende-se como Jardim Botânico a área protegida, constituída no seu todo ou em parte, por colecções de plantas vivas cientificamente reconhecidas, organizadas, documentadas e identificadas, com a finalidade de estudo, pesquisa e documentação do património florístico do país, acessível ao público, no todo ou em parte, servindo à educação, à cultura, ao lazer e à conservação do meio ambiente.


Leitura complementar: Jardim Botânico de Niterói


II. UM POUCO DE HISTÓRIA SOBRE O JARDIM DA ESTUFA FRIA



A Estufa Fria é um espaço verde com mais de 100 anos existente na cidade do Huambo, criada inicialmente para experimentação agrícola e reeducação dos presos no inicio do século XX. 




Localizada na parte alta da cidade, sendo limitada a Norte pela avenida da granja, Casa Ecológica e Bispado, a Sul pela rua José António de Almeida, Seminário Maior Cristo Rei e Centro de Ecologia Tropical e Alterações Climáticas, a Este pelo largo das quitandeiras e a Oeste pelo largo Deolinda Rodrigues e o Parque Infantil.




O local que hoje acolhe a Estufa Fria era propriedade da Igreja Católica. Com previsões de construir no local a Missão, em troca o governo português cedeu outro espaço onde actualmente se encontra a Missão Católica do Cuando, instalando neste espaço uma Granja de Experimentação Agrícola.



Granja de Experimentação Agrícola, foi criada por Henrique Mitchell Paiva Couceiro. Tudo começou com a sua nomeação em 1907 (1907-1909), como Governador Geral da Província de Angola, no mesmo ano, nomeou uma comissão, constituída pelo médico naturalista Pereira do Nascimento, pelo agrónomo Sacramento Monteiro e pelo tenente Ferreira do Amaral, para estudar as condições oferecidas pelas regiões planálticas de Angola (Planalto de Benguela (desde o rio Cuiva até ao forte do Huambo), Moçâmedes (Namibe) e Malanje) para a colonização europeia (Nascimento, 1966; Castelo, 2014).

Fruto dos resultados da comissão, em 1909 Paiva Couceiro, fixa a sua atenção no Huambo e, visionando as suas grandes possibilidades, determina em 1909 o estabelecimento de uma Granja Agrícola.

Em 2014, o historiador “Venceslau Casese”, informou que, a Granja Agrícola criada por Paiva Coucero é o espaço actualmente designado por “Estufa Fria (não se conhece ao certo quando passou a chamar-se assim)”. Na época servia de experimentação de plantas introduzidas para agricultura colonial, constituídas por espécies florestais (eucaliptus) e alimentares (fruteiras e hortícolas), era também um espaço de reeducação dos presos. Pode-se considerar como o embrião da Estação Experimental do Sacahala e do Instituto de Investigação Agronómica da Chianga, disse ele.





Em meados do século XX, consolidou-se como espaço verde público da cidade do Huambo, com múltiplas funções: abrigo de plantas, estético, turismo, leitura e lazer. A existência de um aquário com peixes de água doce, animais de pequeno porte, aves e insectos eram outros atrativos na época.

A Estufa Fria consiste num repositório de plantas, com possibilidades de estudar a botânica e  os ecossistemas. Um património inestimável, de inegável interesse do ponto de vista  histórico,  cultural e  científico. Um refugio natural a visitar, não só por  manter  a  relação   homem-planta   mais próxima, fundamentalmente  por nos proporcionar uma atmosfera única.

É preciso conhecer, para poder usufruir e conservar”.

Com mais de 100 anos, o espaço encerra memórias vivas (biodiversidade) e não vivas (arquitetónicas) do seu passado histórico, cultural e científico que podem ser descobertas numa visita.

Situação actual da Estufa Fria

Desde o ano de 2012, que o espaço tem beneficiado de obras de requalificação (valas de drenagem, rede de esgotos de águas pluviais e domésticas, melhoria do leito do canal da fonte a lagoa e vedação).

Ainda assim, falta de informação relacionada ao espaço, a catalogação das espécies, dificuldades na realização de actividades educativas, ausência de

pessoal qualificado e de estruturas específicas, inexistência de projectos ligados ao ensino e investigação, inexistência de normas de utilização.

A captação de financiamento, formação de pessoal, regulamentação e uma boa  fiscalização nas obras de requalificação, são uma das medidas a adoptar para a recuperação e valorização do espaço.

“Apesar da falta de estruturas específicas, a finalidade educativa e investigativa já estavam previstas, mais atenção e valorização precisa este espaço”.

Por isso, acreditamos que as próximas intervenções devolverão toda sua beleza e tornarão o espaço mais agradável, para ser valorizado e cumprir com a sua verdadeira missão: lazer, turismo, educação, investigação e divulgação da biodiversidade.

Todos são chamados a dar o nosso contributo, de forma a permitir que este espaço cumpra com o seu verdadeiro papel e que seja um dos meios indispensáveis no cumprimento dos compromissos assumidos por Angola diante da Convenção Sobre a Diversidade Biológica.

A diversidade vegetal ainda é abundante, representada por lianas, ervas, arbustos e arvores, como apresentado no seguinte  ponto.





III. LABORATÓRIO VIVO DO JARDIM DA ESTUFA FRIA DA CIDADE DO HUAMBO

ORDENS (19) - FAMÍLIAS (31) - ESPÉCIES (48)


GIMNOSPERMAS

I. PINALES
Araucariaceae  - Araucaria columnaris (Arvore de natal)
                                 - Araucaria angustifolia (Palmeira do Brasil)

Pinaceae            - Pinus sp. (Pinheiro)

Cupressaceae  - Cupressus lusitanica Mill (Cedro-cipreste-português)



ANGIOSPERMAS MONOCOTILEDÓNEAS

I. ASPARAGALES
Agavaceae          -  Agave americana (Sisal)

Hypoxidaceae  - Curculigo capitulata (Capim Palmeira)


II. ZINGIBERALES
Cannaceae        - Canna indica (Cana)

Musaceae          - Musa sp. (Bananeira)


III. POALES
Cyperaceae      - Cyperus alternifolius  (Palmeira-umbela)
                               - Cyperus rotundus (Tiririca)

Poaceae              -  Pennisetum purpureum  (Capim elefante)
                               - Saccharum officinarum  (Cana-de-açúcar)



ANGIOSPERMAS EUDICOTILEDÓNEAS

I. SAPINDALES
Anacardiaceae - Manguifera indica (Manga)

II. APIALES
Araliaceae          - Hedera helex  (Hera)

Pittosporaceae - Pittosporum sp.


III. ASTERALES
Asteraceae - Chrysanthemum sp.  (Crisãntemo)

IV. CARYOPHYLLALES
Cactaceae - Opuntia ficus-indica (Coroa-de-Cristo)

Nyctaginaceae   - Bougainvillea glabra

Plumbaginaceae - Plumbago sp.

Polygonaceae    - Homalocladium platycladum (Fita de moça)

V. BRASSICALES
Caricaceae  - Carica papaya (Mamão)

VI. FAGALES
Casuarinaceae - Casuarina equisetifolia

VII. MALPIGHIALES
Passifloraceae  - Passiflora edulis (Maracujá)

Euphorbiaceae - Acalypha wilkesiana
                                 - Euphorbia milii (Coroa-de-Cristo)
                                 - Ricinus communis
                                 -Euphorbia cotinifolia (Leiteiro-vermelho)

VIII. FABALES
Fabaceae (Caesalpinoideae) - Bauhinia sp
                    (Papilionoideae) - Erythrina abyssinica Lam. ex DC.
IX. ROSALES
Rosaceae  - Rosa sp.

Moraceae  - Ficus elastica
                       - Ficus carica /auriculata

X. MALVALES
Malvaceae  - Guazuma sp
                        - Hibiscus rosa-sinensis
                        - Malvaviscus arboreus mexicanus
                        - Ceiba pentandra

XI. LAURALES
Lauraceae  - Persea americana (Abacateiro)

XII. MYRTALES
Myrtaceae- Callistemon speciosus  (Escova-de-Garrafa)
                      - Eucaliptus sp (Eucalipto)
                      - Eugenia uniflora (Pitanga)
                      - Psidium guajava (goiaba)

XIII. COMMELINALES
Commelinaceae - Trasdescantia zebrina

XIV. LAMIALES
Bignoniaceae  - Jacaranda mimosifolia (Jacaranda)
                               - Spathodea campanulata  (Tulipeira)

Verbenaceae   - Lantana camara

XV. GENTIANALES
Apocynaceae Thevetia peruviana
Rubiaceae      - Ixora chinensis  (Alfinete Grande)

XVI. SOLANALES
Convolvulaceae - Ipomoea cairica
                                  - Ipomea purpurea

Pesquisas continuam…além da historia do espaço, espécies vegetais, animais, fungos e outros seres vivos, por descobrir...


IV. ENSINO E INVESTIGAÇÃO NA ESTUFA

Como qualquer ópera, ou teatro, um jardim perde a sua razão de ser se não tiver utilizadores.

Actividades educativas na Estufa Fria do Huambo, teve inicio em 2012, e têm sido realizadas com estudantes do 1º ano do curso de Ensino de Biologia do ISCED-Huambo.


O objectivo é consolidar e/ou complementar as temáticas apreendidas em sala de aula, com aplicação do conhecimento em contexto real, no jardim, ou mesmo concretizando aí a primeira abordagem e o entendimento de novos conceitos (Tavares, 2015). 

Os conteúdos tratados neste espaço estão relacionados com a sistemática de Lineu, morfologia vegetal, biodiversidade e a educação ambiental.  Temas como, diversidade de seres vivos, classificação dos vegetais, a flora Angolana, organografia vegetal e ecossistemas, leccionados no I e II Ciclo do Ensino Secundário, também podem ser abordados no local.

Encontra-se publicado um artigo na Revista Eletrónica do ISCED-Huambo (http://revista.isced-hbo.ed.ao/index.php/rop), com o tema: “Estufa-Fria: Um espaço não formal em potencial para a aprendizagem da botânica”.


 V. AVALIAÇÃO

A avaliação das actividades desenvolvidas neste espaço não foge a regra, pode ser feita da seguinte maneira:
- Antes da realização das actividades educativas, é importante efectuar uma visita ao local e análise prévia dos programas escolar (Avaliação Diagnóstica);
- Pela observação no decorrer da acção é possível acompanhar as reacções, as motivações, as atitudes e os interesses dos participantes (Avaliação Formativa);
- No final realiza-se a análise dos resultados, normalmente de carácter quantitativo, recorrendo a um questionário de satisfação e de conhecimento (Avaliação Sumativa). (Tavares, 2015)



 VI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA
 Biblioteca do Seminário Maior Cristo Rei do Huambo. Arquivo de fotografias. 2014.
Castelo, C. Colonização do Planalto de Angola. Disponível em: https://atagraria.files.wordpress.com/2012/06/colonizao_planalto_angola.pdf Acesso: 30 de Dezembro de 2015
Nascimento, A. F. (1966). Terras de Angola: Nova Lisboa. Palestra da série “DEFESA NACIONAL”.
Paiva, J. A importância da biodiversidade Disponível em: http://www.esfmp.pt/sites/esfmp.pt/files/story/1813/paiva_news.pdf Acesso: 25 de Novembro de 2015
Tavares, A. C. P. (2015). Educação em jardins botânicos - 16 anos de experiência. 1ª Edição. Coimbra-Portugal.
Venceslau, C. (Comunicação pessoal, 2014). Origem da Estufa Fria.