quinta-feira, 6 de julho de 2017

PROGRAMA DA CADEIRA DE BOTÂNICA GERAL

PROGRAMA DA CADEIRA DE BOTÂNICA GERAL

Fundamentação 
A vastidão e diversidade da flora angolana cobrindo quase todo País, com escassez na zona desértica do Namibe, exige que o País tenha quadros suficientes e capazes para a sua protecção e conservação. A escola, em particular o ISCED-Huambo, é chamada a dar o seu contributo na preparação de formadores para gerações actuais e vindouras no sentido de garantirem ao país a preservação da sua rica flora, e, consequentemente, da biodiversidade, pois, nessa flora coexistem diversas formas de vida.

Em suma, que conheçam as características da grande diversidade de organismos vegetais que se encontram no país e que de uma forma ou outra estão relacionados com o homem pela grande utilidade que lhe proporciona, em alguns casos, e reconhecer mediante o seu estudo aquelas que provocam doenças e destroem a economia do país, para eliminá-los.

Problema
A Botânica Geral é uma cadeira introdutória ao estudo das plantas, isto é, as plantas inferiores ou Talófitas, Plantas Superiores ou Cormófitas, bem como a de Fisiologia Vegetal e outras afins. Assim, o correcto conhecimento dos itens acima mencionados poderão servir de alavanca para um sucesso do aluno nessa área, ou um travão se mal compreendidos e assimilados. Tudo dependerá da forma como o professor da cadeira conduzir o processo de ensino e aprendizagem nesse domínio, isto é, as estratégias a serem usadas pelo professor da cadeira jogam um papel fundamental para o sucesso do aluno.

Objecto de estudo
O objecto de estudo desta cadeira é o estudo da morfologia interna e externa das plantas.

Objectivo Geral
- Aprofundar os conteúdos de Botânica Geral obtidos nos níveis anteriores (I e II Ciclo do Ensino Secundário e Ensino Médio), para que mais tarde no desempenho das suas funções de professor manifestem conhecimentos sólidos, fundamentando cientificamente as suas explicações, contribuindo deste modo, no desenvolvimento do processo docente-educativo. 
- Como escola de formação de professores, augura-se que estes conhecimentos sejam suficientemente sólidos no sentido de poderem transmitir e orientar os seus futuros alunos, de forma eficaz, no campo teórico, mas, fundamentalmente prático. Pós, a Botânica, como ciência que estuda as plantas, deve encontrar na natureza o seu local preferencial para o seu desenvolvimento.

Objectivos Específicos
  • Conhecer a importância que tem a botânica como matéria base em todos os conceitos biológicos
  • Criar nos estudantes a correcta concepção científica do mundo, desenvolvendo as suas capacidades, tendo como base os princípios teóricos aliados à prática.
  • Explicar a Nomenclatura Botânica e a necessidade da Nomenclatura Cientifica, assim como o método de classificação científica natural aceite universalmente.
  • Estudar a célula vegetal como unidade estrutural e funcional dos organismos vegetais, quanto a posição, organelos do citoplasma e funções, bem como os diferentes tecidos vegetais.
  • Identificar a grande diversidade de vegetais e as diferenças existentes entre eles, desde organismos unicelulares até gigantescas árvores.
  • Intensificar o estudo teórico e prático, da planta como um todo, destacando-se os seus diferentes órgãos e aprofundando em cada um deles, a sua estrutura interna e externa, funções que realizam no vegetal e a sua importância económica.
  • Estimular a comunicação oral e escrita dos conhecimentos adquiridos.

Sistema de habilidades:
  • Aplicar concepções teóricas sobre a origem e evolução histórica da Biologia e desenvolvimento das plantas no estudo da Botânica.
  • Seleccionar e utilizar métodos de investigação botânicos.
  • De maneira geral, esta disciplina se propõe a desenvolver nos estudantes determinadas competências profissionais, as quais devem permitir: analisar, identificar, caracterizar, explicar, avaliar, diagnosticar, prognosticar a importância da Botânica Geral.
  • Localizar, identificar, classificar, descrever, caracterizar, comparar os diferentes tecidos e órgãos vegetais.
Sistema de valores:
  • Manifestar amor pela profissão de instruir e educar em um sentido botânico.
  • Manifestar seu amor pela natureza, sua protecção e conservação em seu actuar profissional. 
  • Manifestar sua responsabilidade diante dos deveres como futuro profissional da educação e como cidadão.
  • Manifestar sua identidade nacional e patriotismo em seu actuar profissional e quotidiano.

Plano Temático

Introdução
História da evolução da Biologia. As origens. Aristóteles e seus sucessores. A Biologia a Idade Média. A Biologia nos Séculos: XVI, XVII, XVIII. A Biologia experimental. Os percursores do transformismo. A Biologia no século XIX. Darwin - Revolucionador da Biologia. Século XX: Genética e evolução, A microbiologia, Fisiologia e Bioquímica, Citologia, A Biologia Molecular, A Biotecnologia.

CAPÍTULO I: Processos importantes que caracterizam a vida.
Introdução. O metabolismo e a transformação de energia. A reprodução. A alimentação. A irritabilidade

CAPÍTULO II: Sistemática de Lineu.
Introdução. Origem da classificação Biológica. Os reinos de seres vivos. As categorias taxonómicas: Reinos; Tipos; Classes; Ordens; Famílias; Géneros; Espécies.

CAPÍTULO III: A célula
Generalidades. Organização geral da célula. Composição material: Matéria inorgânica (Água, Sais, Componentes minerais); Matéria orgânica (Hidratos de carbono, Lípidos, Prótidos, Ácidos nucleicos). O protoplasma: O núcleo, O citoplasma (Organitos: Plastídios, Mitocôndrias, Ribossomas). A célula vegetal. Constituição química. Arquitetura molecular. Funções. Componentes não protoplasmáticos: parede celular. Componentes protoplasmáticos: Plastídios; Glioxissomas, Peroxissomas.

CAPÍTULO IV: Morfologia interna das plantas.
Introdução. Meristemas: Primários e Secundários. Tecidos permanentes ou definitivos: Essencialmente elaboradores e Essencialmente mecânicos.

 CAPÍTULO V: A estrutura da raiz
Introdução. Extrutura externa: Órgãos e partes subterrâneas. Estrutura interna: Estrutura primária; Estrutura secundária; Raízes laterais; Distinção anatómica entre mono e dicotiledóneas


CAPÍTULO VIA estrutura do caule
Introdução. Extrutura externa: Órgãos e partes do caule. Estrutura interna: Estrutura primária; Anéis anuais; Cerne e alburno; Caule das angiospérmicas; Caule de crescimento secundário atípico; Crescimento longitudinal do caule; Distinção anatómica entre mono e dicotiledóneas


CAPÍTULO VIIA estrutura da folha.
Introdução. Extrutura externa: Órgãos e partes da folha. Estrutura interna: Corte transversal de uma folha; Esquema tridimensional da estrutura de uma folha; Corte transversal de uma folha aquática; Distinção anatómica entre angiospérmicas e gimnospérmicas


CAPÍTULO VIIIA estrutura da flor, do fruto e da semente.
Introdução. Extrutura externa: Órgãos e partes. Estrutura interna: A flor das angiospérmicas; Anatomia das várias partes da flor; Polinização e fecundação; Esquema do ovário; Grãos de polém em corte transversal; Antera madura. Corte transversal; Saco embrionário em processo de fecundação; Corte transversal esquemático de um fruto (cariopse) de gramíneas e um outro.


CAPÍTULO IXMorfologia externa das plantas.
Introdução. Organização das plantas superiores, principalmente angiospérmicas: Órgãos e suas funções; Organização das dicotiledóneas; Organização das monocotiledóneas; Diferenças anatómicas entre monocotiledóneas e dicotiledóneas.


CAPÍTULO XTrabalho de campo
Visita ao museu botânico; Recolecção e estudo das plantas úteis da região (alimentares, industriais, medicinais, ornamentais, tóxicas, aromáticas e outras). Montagem de herbário.


Indicações Metodológicas
Considerando os objectivos gerais da disciplina e a sua importância para a compreensão profunda dos problemas vegetais, é necessário uma análise do desenvolvimento da mesma, pois os múltiplos factores que incidem neste processo devem ser tidos em conta.

As aulas serão desenvolvidas por meio de conferências, seminários e aulas práticas.

Com a realização dos seminários e das aulas práticas permite a compreensão das características dos vegetais, assim como as principais alternativas teóricos-metodológicas para a compreensão do mundo vegetal no âmbito escolar.


Bibliografia
A nível da Biblioteca do ISCED-Huambo:  
-       Raven, Peter H;  Evert, Ray F, & Eichhorn Susan E. (2006). Biologia Vegetal 6ª Edição. Guanabora Koogan S.A. Rio de Janeiro. Biblioteca do ISCED-Huambo
-       Burnie, David. 1996. Dicionário Temático de Biologia. Editora: Scipione Ltda. São Paulo.
-       César da Silva Júnior & Sezar Sasson. 2003. Biologia. Eneida C. da Silva Gordo. S. Paulo, Brasil.
-       Gabriella L. Edwards. 1991. A diversidade dos seres vivos. Editora: Francisco Lyon de Castro. Portugal
-       Gabriella L. Edwards. 1991. A Célula. Editora: Francisco Lyon de Castro. Portugal
-       Gabriella L. Edwards. 1991. As plantas verdes. Editora: Francisco Lyon de Castro. Portugal
-       Kenneth C. Jones & Anthony J. Gaudin. 2000. Introdução à Biologia. 3 edição. Fundação Calouste Gulbenkiam. Lisboa.
-       Nultsch, Wilhelm. 2005. Botânica Geral. Editora: Artmed. São Paulo.
-       Raw, Isaias; Mennucci, Lelia & Krasilchik, Myriam. 2001. A Biologia e o Homem. Editora: Universidade de São Paulo. São Paulo-Brasil.
-       W.H. Freeeman e Companya. 1992. Biologia Vegetal 6ª Edição. Guanabora Koogan S.A. Rio de Janeiro.

Bibliografia Complementar:   
1. Guias, livros e atlas:
- Bona, C.; Boeger, M. R.; Santos, G.O. 2004. Guia Ilustrado de Anatomia Vegetal. Holos Editora. Brasil.
- Glória, B.A.; Guerreiro, S.M.C. 2006. Anatomia Vegetal. 2ª Edição Revista e actualizada. Universidade Federal de Viçosa, MG-Brasil.
- Judd, W.S; Campbell, C.S; Stevens, P.F.; Donoghue, M.J. 2009. Sistemática Vegetal. Um Enfoque Filogenético.
- Moreira, H.J.C & Bragança, H.B.N. 2011. Manual de Identificação de Plantas Infestantes. Campinas-SP.
- Oliveira, D.M.T. & Machado, S.R. 2009. Álbum Didático de Anatomia Vegetal. Instituto de Biociências de Botucatu.
- Thomaz, L.D.; Silva, C.T.M.; Peterle, P.L.; Dutra, S.D.; Lorencini, T.S. 2009. Morfologia Vegetal-Organografia. Universidade Federal do Espírito Santo-Vitória.
- Vidal, Waldomiro Nunes & Vidal, Maria Rosária Rodrigues. 2006. Organografia – Quadros sinópticos ilustrados de fanerógamos. Universidade Federal de Viçosa. Brasil.

2. Internet









SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO: RESUMO HISTÓRICO

SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO: RESUMO HISTÓRICO

Um histórico referente aos sistemas de classificação de plantas pode ser encontrado em Barroso (1978): 

I – Classificação baseada no hábito das plantas: 
Theophrastus (370 a.C.), Albertus Magnus (1193-1280), Otto Brunfels (1464-1534), Andrea Caesalpino (1519-1603), Jean Bauhin (1541-1631), John Ray (1628-1705), Joseph Pitton e Tournefort (1656-1708); 

II – Sistemas artificiais baseados em caracteres numéricos: 
Carolus Linnaeus ou Carl Linné (1707-1778), considerado o pai da taxonomia vegetal e zoológica; 

III – Sistemas baseados na forma de relações entre as plantas: 
Michel Adanson (1727-1806), Lamarck (1744-1829), De Jussieu (Antoine, 1686-1758; Bernard, 1699-1776 e Joseph, 1704-1799); De Candolle (1778- 1841); entre 1825-1845 cerca de 24 sistemas de classificação foram propostos, destacando-se Endlincher, Brongniart, Lindley, Bentham e Hooker; 

IV – Sistemas baseados em filogenia, baseado nas teorias de evolução das espécies: 
Eichler (1839-1887), Engler (1844-1930), Bessey (1845-1915), Hutchinson (1884-1972), Tahktajan (1961), Cronquist (1968), Dahlgren (1975).

Diversos são os sistemas de classificação apresentados ao longo da história do estudo dos vegetais, cada qual com seus principais autores. Até então, sistemas parciais do reino das plantas foram apresentados. Muitas das inovações destes sistemas encontram-se perfeitamente adaptadas ao sistema de Engler. Assim, Joly (1976), em seu livro sobre a taxonomia vegetal, um dos mais conhecidos entre os estudantes de Ciências Biológicas e principalmente entre os botânicos, segue o sistema de classificação de Engler.


De acordo com Engler (1954 e 1964) apud Joly (1976), o reino vegetal é classificado da seguinte forma: 
Divisão I BACTERIOPHYTA, 
Divisão II CYANOPHYTA, 
Divisão III GLAUCOPHYTA, 
Divisão IV MYXOPHYTA, 
Divisão V EUGLENOPHYTA, 
Divisão VI PYRROPHYTA, 
Divisão VII CHRYSOPHYTA, 
Divisão VIII CHLOROPHYTA, 
Divisão IX CHAROPHYTA, 
Divisão X PHAEOPHYTA, 
Divisão XI RHODOPHYTA, 
Divisão XII FUNGI, 
Divisão XIII LICHENES, 
Divisão XIV BRYOPHYTA, 
Divisão XV PTERIDOPHYTA, 
Divisão XVI GYMNOSPERMAE, 
Divisão XVII ANGIOSPERMAE.

Barroso (1978) adota a classificação de Cronquist em seu livro sobre a sistemática das angiospermas no Brasil, por considerá-la muito simples e didática. É importante esclarecer que Cronquist (1981) direciona sua classificação às angiospermas da seguinte forma: 
Divisão Magnoliophyta, 

Classe Magnoliopsida (dicotiledôneas), 
Subclasses: 
I – Magnoliidae, 
II – Hamamelidae, 
III – Caryophyliidae, 
IV – Dilleniidae, 
V – Rosidae, 
VI – Asteridae; 

Classe Liliopsida (monocotiledôneas),
Subclasses: 
I – Alismatidae, 
II – Arecidae, 
III – Commelinidae, 
IV – Zingiberidae, 
V – Liliidae.

Assim como em Barroso (1978), o estudo das angiospermas foi, por muito tempo, baseado na classificação de Cronquist. Ao pesquisar em sua obra (CRONQUIST, 1981), destaca-se que seu sistema de classificação foi desenvolvido baseando-se na tradição filosófica de A. P. de Candolle, Benthan e Hooker, Hallier e Bessey, conquistando grande aceitação no meio botânico, proporcionando uma reorganização geral.

O sistema de classificação APG (Angiosperm Phylogeny Group) é descrito por Judd, Campbell, Kellogg e Stevens (1999) no livro “Plant Systematics: a phylogenetic approach”.

Este sistema de classificação, considerado um marco na botânica, foi organizado considerando-se características moleculares, por meio da utilização de técnicas que fundamentam um maior aprofundamento no estudo da evolução e filogenia. Atualmente é utilizado o APG II, baseado no livro de Judd et al., revisado em 2002. O sistema ainda está em desenvolvimento, sendo revisado constantemente à medida que detalhes filogenéticos e novas características anatômicas e morfológicas são descobertas.

O método mais atual utilizado para classificar os organismos é conhecido, portanto, como cladística. A cladística é uma forma de análise filogenética na qual o enfoque se concentra na ramificação de uma linhagem a partir de outra no curso da evolução. Ela tenta identificar grupos monofiléticos, ou clados, que possam ser definidos pela posse de atributos derivados exclusivos que reflitam uma origem evolutiva comum. O resultado da análise cladística é um cladograma, que fornece uma representação gráfica de um modelo de trabalho, ou hipótese, sobre as relações filogenéticas de um grupo de organismos (RAVEN et al., 2007).

Pode-se dizer, ainda, que a sistemática vegetal foi revolucionada pela aplicação de técnicas moleculares, através das quais tornou-se possível comparar organismos em seu nível mais básico, o gene. Estes dados moleculares são mais fáceis de quantificar, têm o potencial de fornecer muito mais caracteres para análise filogenética e permitem a comparação de organismos que são morfologicamente muito diferentes (RAVEN et al., 2007).

Outros temas importantes para esse trabalho e para o estudo dos vegetais são aqueles relacionados à ecologia. Segundo Raven et al. (2007, p. 707), a ecologia é freqüentemente definida como: “o estudo das interações dos organismos uns com os outros e com o seu ambiente físico”, sendo mais simples defini-la como o estudo dos sistemas ecológicos ou ecossistemas.


quarta-feira, 5 de julho de 2017

JARDIM DA ESTUFA FRIA DO HUAMBO, ANGOLA

JARDIM DA ESTUFA FRIA DO HUAMBO, ANGOLA

I. O QUE É UM JARDIM BOTÂNICO?

A dar crédito às versões bíblicas foi o jardim a obra inicial do Criador, do Deus Arquitecto que o fez já exercendo a função de vegetação protectora dos mananciais, porque do jardim do Éden:

  • "saía um rio para regar o jardim e dali se dividiu e se tornava em quatro braços" (Génesis 2,10).
  • "e plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs ali o homem que tinha formado" (Génesis 2,8).
  • "e tomou o Senhor Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar" (Génesis 2,15)
Ainda pela Bíblia encontramos que a sistemática é contemporânea dos atos iniciais da criação, pois, no terceiro dia, precisamente:
  • "e disse Deus produza a terra a erva verde, dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie. E viu que era bom" (Génesis 1,12).

Devemos aqui encarar o jardim não mais como objecto da criação, porém rigorosamente dentro de um ponto de vista histórico e reconhecer que representa o jardim uma das mais antigas tentativas do ser humano de se sobrepor à ordem natural a ordem humana.

Quanto mais elaborada e evoluída e estruturada uma cultura, maior requinte empresta às realizações jardinísticas.

Os jardins egípcios, os jardins da Babilônia, os jardins árabes de Sevilha e Granada, o jardim japonês e os jardins europeus (italiano, francês e inglês) exemplificam bem o que foi afirmado acima.

As hordas bárbaras, os povos primitivos e os nômadas desconhecem em absoluto o jardim.

A conceituação do jardim não é precisada nem em dimensão (um jardim pode ter qualquer dimensão), nem em forma, nem pela natureza de sua composição própria. 

Há mesmo exemplos de jardins sem plantas.

O jardim corresponde a uma porção limitada do espaço, organizada finalisticamente para a amenização, o proveito, a educação, o lazer, o encontro ou à meditação e a contemplação daqueles que o frequentam



O que é um Jardim botânico?
Na actualidade, entende-se como Jardim Botânico a área protegida, constituída no seu todo ou em parte, por colecções de plantas vivas cientificamente reconhecidas, organizadas, documentadas e identificadas, com a finalidade de estudo, pesquisa e documentação do património florístico do país, acessível ao público, no todo ou em parte, servindo à educação, à cultura, ao lazer e à conservação do meio ambiente.


Leitura complementar: Jardim Botânico de Niterói


II. UM POUCO DE HISTÓRIA SOBRE O JARDIM DA ESTUFA FRIA



A Estufa Fria é um espaço verde com mais de 100 anos existente na cidade do Huambo, criada inicialmente para experimentação agrícola e reeducação dos presos no inicio do século XX. 




Localizada na parte alta da cidade, sendo limitada a Norte pela avenida da granja, Casa Ecológica e Bispado, a Sul pela rua José António de Almeida, Seminário Maior Cristo Rei e Centro de Ecologia Tropical e Alterações Climáticas, a Este pelo largo das quitandeiras e a Oeste pelo largo Deolinda Rodrigues e o Parque Infantil.




O local que hoje acolhe a Estufa Fria era propriedade da Igreja Católica. Com previsões de construir no local a Missão, em troca o governo português cedeu outro espaço onde actualmente se encontra a Missão Católica do Cuando, instalando neste espaço uma Granja de Experimentação Agrícola.



Granja de Experimentação Agrícola, foi criada por Henrique Mitchell Paiva Couceiro. Tudo começou com a sua nomeação em 1907 (1907-1909), como Governador Geral da Província de Angola, no mesmo ano, nomeou uma comissão, constituída pelo médico naturalista Pereira do Nascimento, pelo agrónomo Sacramento Monteiro e pelo tenente Ferreira do Amaral, para estudar as condições oferecidas pelas regiões planálticas de Angola (Planalto de Benguela (desde o rio Cuiva até ao forte do Huambo), Moçâmedes (Namibe) e Malanje) para a colonização europeia (Nascimento, 1966; Castelo, 2014).

Fruto dos resultados da comissão, em 1909 Paiva Couceiro, fixa a sua atenção no Huambo e, visionando as suas grandes possibilidades, determina em 1909 o estabelecimento de uma Granja Agrícola.

Em 2014, o historiador “Venceslau Casese”, informou que, a Granja Agrícola criada por Paiva Coucero é o espaço actualmente designado por “Estufa Fria (não se conhece ao certo quando passou a chamar-se assim)”. Na época servia de experimentação de plantas introduzidas para agricultura colonial, constituídas por espécies florestais (eucaliptus) e alimentares (fruteiras e hortícolas), era também um espaço de reeducação dos presos. Pode-se considerar como o embrião da Estação Experimental do Sacahala e do Instituto de Investigação Agronómica da Chianga, disse ele.





Em meados do século XX, consolidou-se como espaço verde público da cidade do Huambo, com múltiplas funções: abrigo de plantas, estético, turismo, leitura e lazer. A existência de um aquário com peixes de água doce, animais de pequeno porte, aves e insectos eram outros atrativos na época.

A Estufa Fria consiste num repositório de plantas, com possibilidades de estudar a botânica e  os ecossistemas. Um património inestimável, de inegável interesse do ponto de vista  histórico,  cultural e  científico. Um refugio natural a visitar, não só por  manter  a  relação   homem-planta   mais próxima, fundamentalmente  por nos proporcionar uma atmosfera única.

É preciso conhecer, para poder usufruir e conservar”.

Com mais de 100 anos, o espaço encerra memórias vivas (biodiversidade) e não vivas (arquitetónicas) do seu passado histórico, cultural e científico que podem ser descobertas numa visita.

Situação actual da Estufa Fria

Desde o ano de 2012, que o espaço tem beneficiado de obras de requalificação (valas de drenagem, rede de esgotos de águas pluviais e domésticas, melhoria do leito do canal da fonte a lagoa e vedação).

Ainda assim, falta de informação relacionada ao espaço, a catalogação das espécies, dificuldades na realização de actividades educativas, ausência de

pessoal qualificado e de estruturas específicas, inexistência de projectos ligados ao ensino e investigação, inexistência de normas de utilização.

A captação de financiamento, formação de pessoal, regulamentação e uma boa  fiscalização nas obras de requalificação, são uma das medidas a adoptar para a recuperação e valorização do espaço.

“Apesar da falta de estruturas específicas, a finalidade educativa e investigativa já estavam previstas, mais atenção e valorização precisa este espaço”.

Por isso, acreditamos que as próximas intervenções devolverão toda sua beleza e tornarão o espaço mais agradável, para ser valorizado e cumprir com a sua verdadeira missão: lazer, turismo, educação, investigação e divulgação da biodiversidade.

Todos são chamados a dar o nosso contributo, de forma a permitir que este espaço cumpra com o seu verdadeiro papel e que seja um dos meios indispensáveis no cumprimento dos compromissos assumidos por Angola diante da Convenção Sobre a Diversidade Biológica.

A diversidade vegetal ainda é abundante, representada por lianas, ervas, arbustos e arvores, como apresentado no seguinte  ponto.





III. LABORATÓRIO VIVO DO JARDIM DA ESTUFA FRIA DA CIDADE DO HUAMBO

ORDENS (19) - FAMÍLIAS (31) - ESPÉCIES (48)


GIMNOSPERMAS

I. PINALES
Araucariaceae  - Araucaria columnaris (Arvore de natal)
                                 - Araucaria angustifolia (Palmeira do Brasil)

Pinaceae            - Pinus sp. (Pinheiro)

Cupressaceae  - Cupressus lusitanica Mill (Cedro-cipreste-português)



ANGIOSPERMAS MONOCOTILEDÓNEAS

I. ASPARAGALES
Agavaceae          -  Agave americana (Sisal)

Hypoxidaceae  - Curculigo capitulata (Capim Palmeira)


II. ZINGIBERALES
Cannaceae        - Canna indica (Cana)

Musaceae          - Musa sp. (Bananeira)


III. POALES
Cyperaceae      - Cyperus alternifolius  (Palmeira-umbela)
                               - Cyperus rotundus (Tiririca)

Poaceae              -  Pennisetum purpureum  (Capim elefante)
                               - Saccharum officinarum  (Cana-de-açúcar)



ANGIOSPERMAS EUDICOTILEDÓNEAS

I. SAPINDALES
Anacardiaceae - Manguifera indica (Manga)

II. APIALES
Araliaceae          - Hedera helex  (Hera)

Pittosporaceae - Pittosporum sp.


III. ASTERALES
Asteraceae - Chrysanthemum sp.  (Crisãntemo)

IV. CARYOPHYLLALES
Cactaceae - Opuntia ficus-indica (Coroa-de-Cristo)

Nyctaginaceae   - Bougainvillea glabra

Plumbaginaceae - Plumbago sp.

Polygonaceae    - Homalocladium platycladum (Fita de moça)

V. BRASSICALES
Caricaceae  - Carica papaya (Mamão)

VI. FAGALES
Casuarinaceae - Casuarina equisetifolia

VII. MALPIGHIALES
Passifloraceae  - Passiflora edulis (Maracujá)

Euphorbiaceae - Acalypha wilkesiana
                                 - Euphorbia milii (Coroa-de-Cristo)
                                 - Ricinus communis
                                 -Euphorbia cotinifolia (Leiteiro-vermelho)

VIII. FABALES
Fabaceae (Caesalpinoideae) - Bauhinia sp
                    (Papilionoideae) - Erythrina abyssinica Lam. ex DC.
IX. ROSALES
Rosaceae  - Rosa sp.

Moraceae  - Ficus elastica
                       - Ficus carica /auriculata

X. MALVALES
Malvaceae  - Guazuma sp
                        - Hibiscus rosa-sinensis
                        - Malvaviscus arboreus mexicanus
                        - Ceiba pentandra

XI. LAURALES
Lauraceae  - Persea americana (Abacateiro)

XII. MYRTALES
Myrtaceae- Callistemon speciosus  (Escova-de-Garrafa)
                      - Eucaliptus sp (Eucalipto)
                      - Eugenia uniflora (Pitanga)
                      - Psidium guajava (goiaba)

XIII. COMMELINALES
Commelinaceae - Trasdescantia zebrina

XIV. LAMIALES
Bignoniaceae  - Jacaranda mimosifolia (Jacaranda)
                               - Spathodea campanulata  (Tulipeira)

Verbenaceae   - Lantana camara

XV. GENTIANALES
Apocynaceae Thevetia peruviana
Rubiaceae      - Ixora chinensis  (Alfinete Grande)

XVI. SOLANALES
Convolvulaceae - Ipomoea cairica
                                  - Ipomea purpurea

Pesquisas continuam…além da historia do espaço, espécies vegetais, animais, fungos e outros seres vivos, por descobrir...


IV. ENSINO E INVESTIGAÇÃO NA ESTUFA

Como qualquer ópera, ou teatro, um jardim perde a sua razão de ser se não tiver utilizadores.

Actividades educativas na Estufa Fria do Huambo, teve inicio em 2012, e têm sido realizadas com estudantes do 1º ano do curso de Ensino de Biologia do ISCED-Huambo.


O objectivo é consolidar e/ou complementar as temáticas apreendidas em sala de aula, com aplicação do conhecimento em contexto real, no jardim, ou mesmo concretizando aí a primeira abordagem e o entendimento de novos conceitos (Tavares, 2015). 

Os conteúdos tratados neste espaço estão relacionados com a sistemática de Lineu, morfologia vegetal, biodiversidade e a educação ambiental.  Temas como, diversidade de seres vivos, classificação dos vegetais, a flora Angolana, organografia vegetal e ecossistemas, leccionados no I e II Ciclo do Ensino Secundário, também podem ser abordados no local.

Encontra-se publicado um artigo na Revista Eletrónica do ISCED-Huambo (http://revista.isced-hbo.ed.ao/index.php/rop), com o tema: “Estufa-Fria: Um espaço não formal em potencial para a aprendizagem da botânica”.


 V. AVALIAÇÃO

A avaliação das actividades desenvolvidas neste espaço não foge a regra, pode ser feita da seguinte maneira:
- Antes da realização das actividades educativas, é importante efectuar uma visita ao local e análise prévia dos programas escolar (Avaliação Diagnóstica);
- Pela observação no decorrer da acção é possível acompanhar as reacções, as motivações, as atitudes e os interesses dos participantes (Avaliação Formativa);
- No final realiza-se a análise dos resultados, normalmente de carácter quantitativo, recorrendo a um questionário de satisfação e de conhecimento (Avaliação Sumativa). (Tavares, 2015)



 VI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA
 Biblioteca do Seminário Maior Cristo Rei do Huambo. Arquivo de fotografias. 2014.
Castelo, C. Colonização do Planalto de Angola. Disponível em: https://atagraria.files.wordpress.com/2012/06/colonizao_planalto_angola.pdf Acesso: 30 de Dezembro de 2015
Nascimento, A. F. (1966). Terras de Angola: Nova Lisboa. Palestra da série “DEFESA NACIONAL”.
Paiva, J. A importância da biodiversidade Disponível em: http://www.esfmp.pt/sites/esfmp.pt/files/story/1813/paiva_news.pdf Acesso: 25 de Novembro de 2015
Tavares, A. C. P. (2015). Educação em jardins botânicos - 16 anos de experiência. 1ª Edição. Coimbra-Portugal.
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